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Mostrando postagens de janeiro, 2019

LÍNGUA PORTUGUESA

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Olavo Bilac Última flor do Lácio, inculta e bela, És, a um tempo, esplendor e sepultura: Ouro nativo, que na ganga impura A bruta mina entre os cascalhos vela... Amo-te assim, desconhecida e obscura Tuba de alto clangor, lira singela, Que tens o trom e o silvo da procela E o arrolo da saudade e da ternura! Amo o teu viço agreste e o teu aroma De virgens selvas e de oceano largo! Amo-te, ó rude e doloroso idioma, Em que da voz materna ouvi: «Meu filho!» E em que Camões chorou, no exílio amargo O génio sem ventura e o amor sem brilho!  Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac foi um jornalista, contista, cronista e poeta brasileiro, considerado o principal representante do parnasianismo no país. Foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira 15 da instituição, cujo patrono é Gonçalves Dias.

Na bodega destilávamos sonhos

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* José cícero Gomes Bom papo onde servia-se deveras uma boa Cariri com K em um copo de pinga grosso para poder lograr a boa fé do freguês. Com tudo era ali que nos reuníamos a confraria dos aluados rompendo as cancelas da realidade entre versos, rimas e lamentos numa esquina esquecida no tempo situada num cantinho do Crato era ali que destilávamos sonhos.

Certidão Nordestina

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de  Cleilson Pereira Ribeiro Sobrou a lama no chão   Do açude que evaporou   Quando a seca chegou   E estorricou o sertão.   O grão vingou mal nascido,   Sem tempo de ser lutrido   perdeu seu sal seu amido   Virou um triste torrão.   A flor que brotou na terra   Brigou, lutou e fez guerra Não pode a seca vencer,   do céu não choveu fartura,   nasceu só pés de amarguras   pro nordestino colher.   Quem sofre passando fome   Leva nos peitos essa vida   Num estirão de feridas   Semeia a flor de seu nome   Eu mesmo sei por que noto,   A feira livre dos votos,   Na eleições e anoto,   Em meu caderno o padicer   Vejo essa gente valente   Sem pão, sorriso, sem dente a dignidade vender.   São mais quatro anos de peia   Suando nas terras alheias   Lambendo o sal do sofrer.   A certidão nordestina   Trago nos couro gravada São calos, cortes, topada...

Minha velha poesia

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*  José Cícero Gomes Minha poesia já não navega        neste mar de palavras que inundam o meu ser. Minha rude poesia é como um velho barco parado na praia de proar para terra e de poupa para o mar    que ignora o chamado das ondas que quebram na praia. O chamado do mar, mar esse que hora é sereno e hora é bravio, e nas madrugadas de marés altas bate com suas ondas na quilha do velho barco chamando-o para navegar em suas águas hora doces, hora salgadas... As ondas batem com foça no compasso de um coração hipertenso de um velho versejador que um dia sonhou em ser poeta, mas se perdeu em meio há paixões por duas musas inatingíveis. Assim como a terra em meio a atração do Sol e da Lua faz as ondas quebrarem na praia. As ondas ainda quebram em minha praia existencial... E quando esse mar de palavras hora doces, horas amargas, recua suas ondas e se acalma. Deixa na quilha do velho barco a espuma da saud...

A Deficiência Cognitiva Programada se alastrou pelo país

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* José Cícero Gomes Hoje nem se eu caminhasse como Diógenes com uma lanterna na mão ao meio-dia buscando uma pessoa que não sofresse de Deficiência Cognitiva Programada eu não encontraria, quanto a busca do próprio Diógenes de encontrar um homem honesto, hoje seria uma missão quase impossível também. Já que o sentido de honestidade é muito amplo, e até o homem dito como honesto em algumas situações especificas de pressão, emoção, dor, sentimento de perca, solidão, humilhação e etc. os levariam a desonestidade. A fraqueza humana já levou alguns homens tidos como honestos serem desonestos com outrem ou ainda com sigo mesmo. Quanto mais os sujeitos destas últimas gerações de brasileiros que além de serem acometidos de uma grave deficiência cognitiva programada ainda estão inserido em um mundo pós-moderno onde nada é consistente, tudo flui como os líquidos. Lembrando o que disse Bauman: “Esquecemos o amor, a amizade, os sentimentos, o trabalho bem feito. O que se consome, o qu...

Sou cabra da peste

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Eu sou de uma terra que o povo padece Mas nunca esmorece, procura vencê, Da terra adorada, que a bela caboca De riso na boca zomba no sofrê. Não nego meu sangue, não nego meu nome, Olho para fome e pergunto: o que há? Eu sou brasilêro fio do Nordeste, Sou cabra da peste, sou do Ceará. Tem munta beleza minha boa terra, Derne o vale à serra, da serra ao sertão. Por ela eu me acabo, dou a própria vida, É terra querida do meu coração. Meu berço adorado tem bravo vaquêro E tem jangadêro que domina o má. Eu sou brasilêro fio do Nordeste, Sou cabra da peste, sou do Ceará. Ceará valente que foi munto franco Ao guerrêro branco Soare Moreno, Terra estremecida, terra predileta Do grande poeta Juvená Galeno. Sou dos verde mare da cô da esperança, Que as água balança pra lá e pra cá. Eu sou brasilêro fio do Nordeste, Sou cabra da peste, sou do Ceará. Ninguém me desmente, pois, é com certeza, Quem qué vê beleza vem ao Cariri, Minha terra amada pissui mais ainda, A...

AGARRE-SE AOS SEUS SONHOS

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* José Cícero Gomes Agarre-se aos seus sonhos como um jóquei agarra nas rédeas de seu cavalo próximo a chegada, mas temendo ser ultrapassado. Pois sem os seus sonhos você não chegará no final da corrida, neste grande hipódromo que o mundo, você terá caído do dorso do seu pegasus existencial. Não deixe seus sonhos morrem no meio desta corrida que chamamos de vida. Muitas vezes nossos sonhos é um cavalo alado de asas quebradas. Por isso não pode voar, mas ainda é um cavalo. Mesmo com dores ele pode correr. Segure-se na clina dos seus sonhos Para não cair do seu galope A vida é uma corrida com começo e fim Chegue no final agarrado aos seus sonhos.

Receita para um dálmata

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*  Gregório Duvivier (ou: Soneto branco com bolinhas pretas) Pegue um papel, ou uma parede, ou algo que seja quase branco e bem vazio. Amasse-o até que tome forma de um animal: focinho, corpo, patas. Em cada pata ponha muitas unhas e em sua boca muitos dentes. (Caso queira, pinte o focinho de qualquer cor que pareça rosa). Atrás, na bunda, ponha um fiapo nervoso: será seu rabo. Pronto. Ou quase: deixe-o lá fora e espere chover nanquim. Agora dê grama ao bicho. Se ele rejeitar, é dálmata. Se comer (e mugir), é uma vaca que tens. Tente outra vez. o bairro de botafogo se fosse um senhor usaria óculos fundo de garrafa e daria bom-dia aos pássaros cantores que já não moram na varanda. ligue os pontos enquanto você dormia liguei os pontos sardentos das suas costas na esperança de que a caneta esferográfica revelasse a imagem de algum ser mitológico de nome proparoxítono o mapa detalhado de algum tesouro submerso formasse quem sabe alguma cons...

MANUELA

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*  Gregorio Duvivier manuela, você não passa de uma gripe que me entope os poros: qualquer dia desses eu te esqueço          num espirro.

Desalento

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*  Chico Buarque de Holanda Sim, vai e diz Diz assim Que eu chorei Que eu morri De arrependimento Que o meu desalento Já não tem mais fim Vai e diz Diz assim Como sou   Infeliz No meu descaminho Diz que estou sozinho E sem saber de mim Diz que eu estive por pouco Diz a ela que estou louco Pra perdoar Que seja lá como for Por amor Por favor É pra ela voltar Sim, vai e diz Diz assim Que eu rodei Que eu bebi Que eu caí Que eu não sei Que eu só sei Que cansei, enfim Dos meus desencontros Corre e diz a ela Que eu entrego os pontos