* José Cícero Gomes Há vidas que são como barcos abandonados na praia Infiéis, num solitário porto, e entregues ao próprio fado. Mas não saem das brancas áreas de sua desértica praia existencial. Pessoa não foi a única pessoa que se sentiu como um barco abandonado, e descompromissado, estanque como a água ardente no fundo de um copo, encalhado na praia sem seguir os sinais do faroleiro da vida que o convida a navegar, mas barcos casados não singram o mar ficam apodrecendo na praia remoendo o seu próprio fado. Eu mesmo já fui um braço abandonado no ermo do porto A mirar o horizonte, desconsolado sem desejos de perseguir meu destino Até que uma bela Nereida me atraiu com o seu canto e me fez volta para o mar. Era o que faltava-me para me lançar ao mar, e voltei a persegue o meu destino. Nesta hora já não me senti como um braço impelido para o mar, mas como um Argonauta que encontrou uma bela Nereida ou como o planeta Netuno que tem sua própria Ne...