A DICOTOMIA DOS PIRILAMPOS
·
Cleilson Pereira
Ribeiro
Nesse verão,
não me cabe mais
falar aos passarinhos,
Pois estes, ficaram velhos
e já não voam mais,
quando em estado de palavra.
A solidão,
definitivamente,
Encruou minha voz,
Que tinha gesto e força,
e vivia de sugerir
que o amor seria
uma semente raivosa
Distante de todas as
belezas.
Não existe mais tempo para
as palavras.
Refugiada no que se abisma,
Longe de qualquer
significado,
Ela camiha
por ruas desertas,
Como estivesse
bêbada de vazios e
estrelas.
Por
isso
é que
acendo,
A dicotomia dos
pirilampos,
Para poder caminhar,
Tropeçando em
luzes apagadas.
Minhas mãos
teimam em
abraçar a indiferença,
Alimentadas por uma
solidão comum,
Que se
multiplica,
E
desembesta
a presumir provisões
de rios acantoados
Na geografia
dos pássaros.
Minhas mãos
sem perceber
criaram como slogan
Um sorriso que já não cabe
no silêncio
que faço e torno mineral.
Neste instante,
Crescem no jardim
Flores de tonalidades
encardidas
que me convencem
a
alma inconclusa.
Me vem à linguagem
A estranha felicidade
de gritar
aturdido
Que a primavera
se tornou
inútil
no
poema.
No poema
agora só importam os girassóis.
Esses embonitados girassóis,
Que na
distância
aprendi
desenhar
no chão por onde
passo,
Como se andasse
dentro de teus
olhos.
__________________
RIBEIRO,
Cleilson Pereira. Um poeta cearense, natural da cidade de Orós, mas radicado no
Cariri cearense. Ele é residente na cidade do Barro-Ce. É detentor de vários
prêmios literários.
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