Uma visão divinal




Nos dias de verão amazônicos o entardecer é algo divino.
Principalmente, em algum lugar na beira de um rio de águas límpidas
e prateadas machadas de dourado pelos últimos raios de sol
de um dia de domingo amazônico.

E uma visão divinal, dentro de uma rede, uma vênus cabocla
que me sorrir, me toca, me beija e mim faz sentir como um rei.

Em algum lugar do Mamoré ao Tapajós
abaixo do Equador, dentro de um rio de águas cor de pratas... 
Uma deusa ribeirinha comprime seus seios contra o meu peito
no fim de tarde de domingo, cortando o ar, cortando a água doce 
e por um instante aquele lindo sorriso me faz sentir um rei.

Ah, os sentidos, se aguçam e teu cheiro,
o teu toque, o meu toque em sua pele e o gosto de tua boca
me inunda o ser e me invade a alma
E por alguns instantes seu corpo e o meu se torna um só.

Dentro de uma rende branca como as garças do Maici
abaixo do Equador, debaixo de uma verde ingá.
Uma deusa ribeirinha comprime seus seios contra o meu peito
sem medo e sem pudor, somos um como aquele afluente
que se lança no rio que nos bainhamos.


* José Cícero Gomes

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