Um sonho bom é um lugar ainda não sonhado
Além do tempo e do lugar
em que vivi quando era jovem
surgiu uma utopia, um sonho bom, algo ainda não sonhado.
Um lugar onde homens e mulheres pudessem viver em paz
e partilhando o fruto do seu trabalho.
Mas logo, o sonho bom, virou pesadelo.
Pois passou a ser visto como uma ameaça
à ordem e ao progresso dos poderosos.
Em um lugar do Crato na Serra do Araripe
Surgi um arraial de nome Caldeirão da Santa Cruz
onde viviam um povo maltrapilho porém feliz
que não ofendia a ninguém
mas que logo foram vistos como inimigos
da ordem e do progresso daqueles
que não desejavam o progresso do povo.
Os desvalidos encontravam alivio nesta terra utópica
além do verde vale dos ricos fazendeiros,
numa chapada pertinho do céu.
Aonde a jurema, o jatobá, o pequizeiro e o juá eram mais verde.
Um povo maltrapilho plantou a felicidade,
lá pelas manhãs um sabiá vinha canta na janela de alguma donzela
e à noite era mais santa com os sermos do beato na capela.
O luar era mais belo e as estrelas mais brilhantes
quando amigos cercavam abeira de uma fogueira para da vida prosear,
as noites eram uma maravilha longe da opressão dos grandes fazendeiros.
Mas os ricos coronéis viram toda essa maravilha
como uma grande ameaça à sua ordem e ao seu progresso
do qual o povo só participava da construção
quando buscaram se libertar da exploração e da exclusão foram destruídos.
José Cícero Gomes

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