Vida Ribeirinha

José Cícero Gomes


O sol queima como brasa na pele do caboclo.
O caboclo canoeiro, rema singrando 
as águas barrentas do Madeira,
ele golpeia as águas com seu remo,

vai o canoeiro hora rio abaixo,
e hora rio acima, lutando pela vida,
indo em busca do peixe bom,
que está cada vez mais escasso,
sempre remando sob o remanso do rio,
em buscar do pescado ou indo ao roçado.

No roçado de um ribeirinho, havia de tudo um pouco,
do feijão de praia, a melancia, o milho verde 
macacheira e até abobora.
Além de banana branca, mexerica, e muito mais...
Hoje está terra desolada por impactos ambientais,
o rio poluído por mercúrio
e as terras caídas desbarrancando o seu lugar.
Era uma vez um povo ribeirinho feliz
que não sabia o que era a escassez e medo de perde o seu lugar.



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